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terça-feira, 18 de abril de 2017

Jogo da 'Baleia Azul' e seus desafios: cinco dicas para a prevenção de pais e alunos

Especialistas apontam que 'desafio' surgiu na Rússia em 2015 depois de notícia falsa. No Brasil, polícia investiga casos de suicídio em três estados.


G1 ouviu especialistas que dão dicas de como lidar com o tema:

1. Fique atento à mudança de comportamento

Uma mudança brusca de comportamento pode ser sinal de que a criança ou o 
adolescente esteja sofrendo com algo que não saiba lidar, segundo Elizabeth dos Reis 
Sanada, doutora em psicologia escolar e docente no Instituto Singularidades.
“Isolamento, mudança no apetite, o fato de o adolescente passar muito tempo 
fechado no quarto ou usar roupas para se esquivar de mostrar o corpo são pistas de 
que sofre algo que não consegue falar”, diz.

2. Compartilhe projetos de vida

Para entender se a criança ou adolescente está com problemas é fundamental que os 
pais se interessem por sua rotina. Elizabeth reforça que este deve ser um desejo 
genuíno, e não momentâneo por conta da repercussão do “Jogo da Baleia”.
“Os pais devem conhecer a rotina dos filhos, entender o que fazem, conhecer os 
amigos”, afirma a Elizabeth. Ela lembra que muitos adolescentes “falam” abertamente 
sobre a falta de motivação de viver nas redes sociais. Aos pais cabe incentivar que 
os filhos tenham projetos para o futuro, tracem metas como uma viagem, por 
exemplo, e até algo mais simples, como definir a programação do fim de semana.

3. Abra espaço para diálogo

Filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar, por isso, Elizabeth reforça que é 
necessário que os pais revertam suas expectativas em relação a eles. “É preciso 
que o adolescente se sinta à vontade para falar de suas frustrações e se sinta apoiado. 
Se ele tiver um espaço para dividir suas angústias e for escutado, tem um fator de 
proteção”, afirma Elizabeth.
Angela Bley, psicóloga coordenadora do instituto de psicologia do Hospital Pequeno 
Príncipe, diz que o adolescente com autoestima baixa, sem vínculo familiar fortalecido 
é mais vulnerável a cair neste tipo de armadilha. “O que tem diálogo em casa, não é 
criticado o tempo todo, tem autoestima melhor, tem risco menor. Deixe que ele fale sobre 
o jogo, o que sente, é um momento de diálogo entre a família.”
Angela reforça que muitas vezes o adolescente não tem capacidade de discernir sobre 
todo o conteúdo ao qual é exposto. “Por isso é importante o diálogo franco. Não pode 
fingir que esse tipo de coisa não existe porque ele sabe que existe.”

4. Adolescentes devem buscar aliados

O adolescente precisa buscar as pessoas em que confia para compartilhar seus 
anseios, seja no ambiente escolar ou familiar, segundo as especialistas. “Que ele não 
ceda às ameaças de quem já está em contato com o jogo e entenda que quem está 
a frente deles são manipuladores”, diz Elizabeth.

5. Escolas podem criar iniciativas pela vida

Assim como a família, as escolas podem ajudar a identificar situações de risco entre os 
alunos. “Não é qualquer criança que vai responder ao chamado de um jogo como esse, 
são os que têm situações de vulnerabilidade. A escola ajuda a construir laços e 
tem papel fundamental de perceber como os alunos se desenvolvem”, afirma Elizabeth.
Alguns colégios, já cientes da viralização do jogo, começaram a pensar em 
alternativas para aumentar a conscientização sobre a importância de cuidado da 
vida. No Colégio Fecap, que fica na Região Central de São Paulo, essa ideia virou 
projeto escolar: a turma de alunos do ensino médio técnico de programação de jogos 
digitais começou a criar uma espécie de “contra-jogo” da Baleia Azul.
“O jogo ainda está sendo produzido pelos alunos. Eles estão se reunindo e 
debatendo a questão. Serão 15 desafios de como desfrutar melhor da vida e celebrá-la”, 
conta o professor Marcelo Krokoscz, diretor do colégio.
Durante o curso, os estudantes aprender a aplicar linguagens de programação para 
criar jogos para computadores, videogame, internet e celulares, trabalhando desde a 
formação de personagens, roteiros e cenários até a programação do jogo em si. 
Segundo Krokoscz, a ideia é que o jogo, ainda sem prazo de lançamento, esteja 
disponível on-line para o público em geral.
Ele afirma que o objetivo é a ajudar os jovens a verem o lado bom da vida. 
“Impacta mais fortemente nossos alunos a partir do momento que eles mesmos criam 
um jogo a favor da vida.”

* Com informações do G1.

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